quarta-feira, agosto 31, 2005

6 songs for here and now

[info]acrumblingtower e [info]procuro made me do it ;)

Name six songs that you are currently digging ... it doesn't matter what genre they are from or whether they have words, but they must be songs you're really enjoying right now. Post these instructions and then list the six artists and the songs in your LiveJournal. Then tag six other people to see what they're listening to...

In no particular order, these ones come to my mind...

  1. I am X - Sailor
  2. Billy Idol - Shock to the system
  3. El Guapo - Underground
  4. Chica + the folder - I'll come running (to tie your shoes)
  5. Beck - Guero
  6. Manuela de Freitas - Ai meu amor se bastasse

Next for the task are:

sábado, agosto 27, 2005

neon sobre renda

Alvor, 2005
Quando o tunning chega aos atoalhados, embroideries e afins chego a pensar que se aproxima o fim do mundo em cuecas.

tenho saudades...

Paredes de Coura, 2005

...do tempo em que os solgans eram fáceis, o design simplista, o marketing inofensivo e a mercadoria funcionava exactamente para o que servia.


pãezinhos marotos

Lagos, 2005

Seria de esperar que houvesse algum cuidado na disposição de elementos físicos em cartazes de promoção. Não me parece que este seja de todo inocente ou feito a despropósito, conforme se observa numa atenta olhada para a pontinha do cacete que até sobressai a esquadria.

Não sei se o mini-market está com o sucesso esperado ou sequer se recebe a clientela que deseja ( alguns dos frustrados de bigode que faziam fila para entrar no salão erótico de Lisboa) mas lá inusitado, é.

um acordeão na ilha da fantasia

bar 13, Alvor, 2005

Outro sósia de TOY?

sexta-feira, agosto 19, 2005

snikt snikt


Para cortar só é preciso tesoura
A ver na Avenida Gago Coutinho

segunda-feira, agosto 08, 2005

Apêgo à terra

"Lá, onde estão os burros, é sempre aquele moscaredo..."

Sabedoria popular em Vilela do Tâmega, 2005

segunda-feira, julho 25, 2005

A Mulher no Lar: Antítese


A Mulher no Lar 4

No viver intimo com o marido, a mulher precisa de guardar sempre o recato e o pudor cheios de graça que são um de seus maiores encantos. Ela tem de aureolar-se de uma certa poesia, para conservar intacto o prestigio espiritual perdido num convivio descuidado. É necessario regularisar todas as concessões e todas as liberdades, com delicado carinho não isento de firme, mas de maneira a não ferir.
O nosso lar deve ser um jardim. Nêle decorre a parte melhor da nossa existencia, que será tanto melhor, quanto mais solicitamente soubermos cultivar e cuidar todas as flores que o embelezam e o matizam. E como a um jardim, a mulher terá de rodea-lo duma sébe de cautelas, fechar inflexivelmente as suas portas aos que não sabem respeitar a propriedade alheia e podem tentar danifica-lo ou destrui-lo.

(sim, ela está a falar de isso mesmo que estão a pensar...)



quinta-feira, julho 21, 2005

A Mulher no Lar 3

Dentro do lar, a mulher é o exemplo personificado da serenidade e da educação, seja qual for a sua categoria social.
Uma mulher em gestos colericos e descompostos é uma das coisas mais horriveis, mais abominaveis que póde imaginar-se.
E aquela que acompanha esses excessos duma linguagem grosseira e obscena, já não é mulher, é uma furia, um ser indefenivel. Embora o homem empregue termos indecentes, á mulher cumpre abster-se de usa-los e proibi-los aos filhos. Os palavrões na bôca duma mulher tornam horrenda a que se tem no conceito de formosa.
Com os vicios dos maridos, desde que sejam incorrigiveis, não transige uma mulher digna.
Um homem que se embriaga, ou joga o sustento da familia, é uma criatura abjecta. Só tem de humano a figura. Perdeu o respeito por si, não merece que os outros o considerem.
O dever da mulher, porém, é empregar todos os meios ao seu alcance, para o libertar dessa degradação moral. Se não póde, cumpre-lhe abandona-lo.



A Mulher no Lar 2

Poucas são as casas, embora modestas, que não tenham uma ou mais janelas. Porisso, o nosso primeiro cuidado, ao levantar-nos, deve ser abrir as janelas, de modo a permitir a renovação do ar e a sua circulação por toda a casa. Ar, luz e sol são os tres agentes imperscindiveis a uma boa higiene.
[...]
Quem tem varios aposentos, vai deixando ventilar uns, enquanto permanece nos outros. Abrem-se as camas; sacodem-se e expõe-se ao ar as roupas; batem-se os colchões, os travesseiros e as almofadas. Procede-se a seguir á rigorosa limpêsa de toda a habitação, se é pequena. Se é grande, á mais habitada, reservando a outra para dia, ou dias certos da semana.

.

O desmazêlo, o desleixo que se apoderam da mulher da classe operaria ou agricultora, depois que casa, são, sem duvida, uma das mais poderosas razões da sua infelicidade.
O tempo, que a maior parte délas consome na bisbilhotice com as visinhas ou a palrar de coisas sem interesse algum, aplicado a melhorar com o seu esforço as condições de vida e o conforto e comodidades da familia, produziria verdadeiros milagres.
A mulher do operario consciente deve receber o marido, á chegada do trabalho, com a fisionomia calma e sorridente, não havendo grave motivo a impedir-lho. Não o fazer participar das questões das visinhas – das quais não poucas veses se originam conflitos sangrentos – nem das suas arrelias com os filhos. Os pequenos deitados. Agua numa bacia para êle se lavar, sem necessidade de a pedir. Um casaco, embora remendado, mas limpo, para se libertar da poeira da rua, ou da oficina. Se tem animais domesticos, ja tratados e recolhidos. A ceia feita; os candieiros temperados e limpos. Na mesa uma toalha bem lavada. Umas flôres, mesmo numa jarrinha de barro, darão uma nota delicada de frescura e elegancia á mêsa mais desprovida de iguarias.
A comida, embora pobrissima, apetitosa.
Se o marido gosta de lêr, apenas acabar a ceia, deixá-lo á vontade, não o perturbar. Pedir-lhe até para lêr alto qualquer coisa que mais a interesse. Chamá-lo, por todos os modos á intimidade da vida de familia. Criar-lhe cada dia um gosto novo, por coisas saudaveis e dignas que o afastem dos maus companheiros, das sugestoes criminosas, da taberna e do jogo.

domingo, julho 17, 2005

A Mulher no Lar: DISCLAIMER

Encontrei este livro vasculhando nas prateleiras poeirentas da quinta dos meus avós: A Mulher no Lar – a arte de viver com economia de Emília de Sousa Costa 2ª Edição (aumentada).
Tinha a assinatura da minha defunta Tia-Avó em caligrafia aprumada e por isso o atribuo a ela como um dos seus legados.
Não pretendo com as citações do livro perfilhar as opiniões ou as visões da mulher mas apenas mostra-las pelo seu interesse sociológico e histórico. Ok, admito, e também porque o rebaixamento machista é hilariante pela sua descontextualização nos meios urbanos.
Preferi deixar a versão tal e qual como foi escrita sem adaptação ao novo acordo ortográfico por nos enriquecer a língua e a imaginação.

Espero ansiosamente a vossa mordacidade em comentário.

A Mulher no Lar 1

Uma habitação embora pobríssima, mas limpa e arranjada, é uma condição imprescindível á consecução da felicidade.
Diz-se dos escritores, com certa propriedade, que – o estilo é do homem.
Da mulher pode dizer-se também própriamente – o lar é a mulher.
Muitas mães de família vivem infelizes, por não possuirem a arte de tornar apetecivel a sua casa. A falta de conforto na habitação póde atribuir-se, em muitos casos, aos desperdícios dos operarios nas tabernas, aos dos modestos empregados publicos ou comerciais nos cafés.
Mas é justo reconhecer que a grande numero de mulheres cabe a responsabilidade nessas dissipações dos maridos. Se eles ao chegarem a casa, cansados da faina diaria, encontrassem um aconchego intimo, aprazivel, uma atmosféra agradavel de conforto, uma ceia bem cosinhada e um rosto sereno e risonho que os indemnisasse da rudêsa do trabalho e das grossarias dos chefes ou patrões, a maioria dêles, correria a refugiar-se no abrigo do lar, em que a paciencia e a coragem se retemperariam.
Mas o quadro que se lhes oferece é infelizmente, salvo raras e honrosas excepções, o contrario disto.
O operario ou empregado, extenuado de fadiga e mal humorado, porque, por uma defeituosa qualidade inerente á nossa raça, o trabalho é considerado não um dever, mas a escravidão forçada, recolhe a casa na disposição de descansar.
Chega. Deparam-se-lhe os filhos sujos e famintos; a mulher lamurienta, carrancuda, desgrenhada ou esfarrapada, a casa em desalinho, os animais domesticos mal tratados. Por toda a parte a miseria e e o desconforto. Um nada bastará para irrita-lo. A mulher que não soube evitar o inconveniente, protesta com mais ou menos justiça. Vencem as razões do mais forte que espesinha, espanca brutalisa,e, revoltado contra tudo e todos, sai desorientado, indo esquecer e espairecer para a taberna ou botequim.
É desolador mas infelizmente bem verdadeiro este quadro.
Uma mulher pobre ou rica, verdadeiramente digna desse nome, prima na boa ordem e conforto da sua casa e preferirá o ter de menos um vestido, ou um adorno de uso pessoal, a faltarem-lhe os objectos uteis ao arranjo e até ao adorno do seu lar.

In A Mulher no Lar – a arte de viver com economia de Emília de Sousa Costa 2ª Edição (aumentada) (oferecido a minha tia-avó em 1928)


sábado, julho 16, 2005

Mictório, update

A crónica de urinol exposta antes tem de ser actualizada com este pormenor:
A peça modelo com a rede de fundo, no espaço de uma semana, ganhou duas fatias de sabão macaco. Uma inovação com produto nacional.
Isto é o exemplo do incentivo à produção portuguesa.

sexta-feira, julho 15, 2005

Adília Lopes, uma poetisa modernaça 1

É preciso agir
é preciso foder
isto é etimologicamente
cavar
na cidade
é por vezes
tão difícil foder
como cavar
mas mando quinze tampas
de iogurte Longa Vida
natural
para o Apartado 4450
e plantam-me
uma alfarrobeira
na arrábida


In Sete rios entre campos de Adília Lopes

Adília Lopes, uma poetisa modernaça 2

Escrevi
Porque não
Te perdi

A escrever
escrevo-me
e escrevo-te

Escrevo menos
para mim
do que para ti

Os meus versos
vão dar à tua casa
(eu não quero voltar
para a casa dos meus pais)

Mas vêm aí os pardais


In Sete rios entre campos de Adília Lopes

Adília Lopes, uma poetisa modernaça 3

A porta da casa de Eneias, em Viena

Cartas são como anéis
sem dedos
são cruéis
gosto muito
mas não me chega

A porta que se fecha
com estrondo
e me parte o nariz
deixa-me antiga
como Cleópatra
e a Esfinge

A dor falsa
cheira-me a valsa
é preciso pôr salsa
e na primeira balsa
volto para casa
do meu pai
sem um ai
estancada a hemorragia
torno-me pia

Ai do que não sabe
desentupir uma pia
porque nada sabe
da utopia

Não há fome
que não dê em fartura
com açúcar
e canela
abençoadas descobertas
que tornam as crianças espertas
perdeu-se o pai e a mãe e o império
o Eden passou de cinema a hotel
porque não se faz do Bugio um motel?
para rezar
não é preciso falta
de ar

Dido no Inferno
cumprimenta Eneias
é preciso ter boas maneiras
em toda a parte
especialmente
em questões de Arte

In Sete rios entre campos de Adília Lopes

Adília Lopes, uma poetisa modernaça 4

Gosto da cidade
e da publicidade

Gosto do campo
e do Anto

Gosto do mar
e do lar

Gosto do ar
e do radar

Gosto do céu
e do chapéu

Gosto da praia
e da saia

Gosto de ti
e de ti

Gosto de mim

In Sete rios entre campos de Adília Lopes

segunda-feira, julho 11, 2005

dos sonhos

é como se abrissem aos cães ferozes das pulsões reprimidas as portas do galinheiro das nossas vivências.

dizia eu ao an7ónio numa conversa de alto fervor digital

domingo, julho 10, 2005

Mictório

Desde pequeno que sou abatido pelo fascínio de um determinado objecto de loiça. É um objecto que não se encontra em todas as casas de banho mas que também não faz parte do acervo de utensílios para banhos a prestações, como o bidé. Não, não falo desta bacia oblonga, por muito que mereça uma estátua em sua honra de tão ridiculo nome que lhe puseram, um híbrido entre a corruptela francesa e um neologismo yanomami.

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De petiz sempre que ia a uma casa de banho pública que ficava a olhar para aquela bizarra peça de faiança presa à parede à altura da minha cabeça. Só mais tarde vim a perceber que todas as minhas hipóteses estavam erradas. Desde escarrador a sanita para deficientes (e só Deus sabe as horas que passei a inventar um deficiente que ali coubesse melhor que numa vulgar retrete) tudo me empapou a massa cinzenta.
Um dia mais tarde associei-o à sua função e nome. U-RI-NOL, um nome saído de um livro sobre castas de anjos. Há outros nomes mas acabo sempre por preferir este pelo enrolar de língua que tanto prazer me dá. U-RI-NOL.
A seguir foi a fase de estabelecer a nossa relação. A princípio não foi fácil. Eu estava habituado a sanitas, ao conforto das 4 paredes, a fazer ventriloquismo com o piaçaba... De repente dou comigo a ter de repensar a pontaria. Depressa percebo que não é tão árdua tarefa tratar do assunto sem respingar as calças. A habituação mais difícil foi partilhar o momento de intimidade com um desconhecido ao lado que olha orgulhosamente para o seu zé e depois se vira e esboça um sorriso como se fossemos os mais velhos compinchas. Pior mesmo só quando é urinol corrido, normalmente de metal, em que nem sequer há divisórias e a possibilidade de estarmos a roçar cotovelos com o parceiro do lado me faz perder toda a vontade da natureza. Mas, se estivermos sós é uma maravilha. É como fazer contra uma parede pública sem os incómodos problemas de consciência. Pode-se escrever o nome em caligrafria urinária, que fica a escorrer em lettering de filme de terror classe B e com um fumo amoniacal de escrita corrosiva.

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O urinol é agora o meu momento kit-kat, a pausa de introspecção, a batotice de ter um momento para reunir argumentos para a mesa de café. Mas o urinol nunca poderia ser um objecto intelectual se não fosse também recreativo. É para isso que servem as bolinhas de naftalina. Não há prazer maior do que fazer o jogo de as levantar dos buraquinhos e voltar a pôr, tudo no mesmo jacto de xixi. Ainda assim, consegue manter o seu mistério e versatilidade... por exemplo basta vestir-lhe o fundilho com uma rede verde para se tornar num esplêndido cinzeiro.


Posted by Picasa
 
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