segunda-feira, novembro 21, 2005

As declarações de Harriet *


Sobre o nascimento:
"Não sei se percebem que para uma tartaruga dizer "ir 'pá cova" significa na realidade nascer. Eh! Eh! Ainda me lembro como se fosse ontem de sair a correr que nem uma desaustinada em direcção ao mar. As palavras da minha mãe na postura foram "corram o mais rápido que possam por causa dos predadores, mal cheguem ao mar estarão seguras!". Ao sair o buraco, galgando areia, os meus pensamentos eram algo do género "mas com que raio se parece um MAR e como vou reconhecer um PREDADOR quando vir um?!"."

Sobre a anorexia nervosa:
"Eu nunca tive distúrbios alimentares apesar do que dizem por aí. Claro que houve comidas indigestas e claro que já soltei umas bolhinhas em alto mar, mas nada das preocupações que se vêem para aí agora na juventude. Isto de se arrastar uma carapaça ainda tem as suas vantagens, sabe..."

Sobre a sua iniciação sexual:
"... a mim chamavam-me Harriet "Aríete" porque eu era assim atirada para a frente, impulsiva..."

Sobre a longevidade:
"...é preciso é uma pessoa ir aproveitando. Eu, por exemplo, contava já mais de 100 anos e ainda ganhei o Miss Quelónio Asiático 1932. É preciso é ter espírito de aventura como aquele Charles que eu conheci aos 5 anos que andava a fazer um census. Ele ainda me perguntou se eu queria ir a bordo do Beagle dele fazer uma temporada para Inglaterra. Eu cá podia ser nova mas não era parva. Ia lá eu trocar um clima tropical pelo cinzentismo britânico?! Deus nos livre!... "

Sobre ser o animal mais velho do mundo:
"...lembro-me de aos 25 anos, ainda era rapariga nova, ter sido montada por um rapagão voluptuoso. Ele tinha também um pescoço como o meu, todo enrugadito. Dizem que ainda é vivo e anda por aí nas mesmas diatribes de há 150 anos atrás. É estranho porque quando andei com ele às costas ele já era velho. Não sei como é, os portugueses nisto do Guiness até costumam andar em cima do acontecimento. Como era mesmo o nome dele? Mário qualquer coisa... mas isto ainda foi quando tinha casa nas galápagos..."

Sobre a morte:
"... levo de cá o papinho cheio [N.A. conforme imagem acima]. Quando morrer não quero doar o meu corpo à ciência. Isso seria uma parvoíce e um desprimor para com este corpinho. Gostava de ser aproveitada para acessórios, de ser perpetuada em artigos de moda... "


* Harriet é o animal vivo mais velho do mundo. As declarações podem ser lidas no polémico livro de sua autoria "175 anos sem um pingo de Alzheimer"

2 comentários:

gaja disse...

Ui, então eu também devo estar muito velha, porque me lembro perfeitamente do episódio em que a menina Harriet andou com esse senhor às costas... E olhe que não deve ter sido tarefa fácil, não!

Anónimo disse...

quê?

 
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